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A psiquiatria e a interface com o trabalho em equipe na Serpiá
Por Rosecler Alice da Silva
A
psiquiatria é uma especialidade médica que tem como
funções básicas o diagnóstico e o
tratamento de doenças ou sintomas de origem psíquica.
Mais do que atribuir um diagnóstico ou medicar, passa antes por
questões como identificar fatores de risco ou
proteção, vulnerabilidades físicas,
emocionais, genéticas e sociais, além, é claro, de
estabelecer parâmetros científicos baseados em
evidência para formular uma hipótese diagnóstica
que é essencial para o norteamento do planejamento e tratamento
clinico.
Todas essas
informações a respeito do paciente são mais
facilmente e mais fidedignamente colhidas e pensadas se ocorre uma
troca entre os diversos profissionais que atendem essa pessoa. Isso
é ainda mais verídico em psiquiatria da infância e
adolescência, na qual o tratamento de crianças e
adolescentes em sofrimento psíquico exige o envolvimento de
diversos áreas. Na SERPIÁ podemos ter essa oportunidade
de trocas de experiências e visões de atendimento
entre os profissionais. Além disso, contamos com outros colegas
não envolvidos diretamente no caso para poder ajudar a pensar as
estratégias de intervenção, devendo esses aspectos
ser constantemente estimulados e praticados. Ambos aprendemos e o mais
favorecido é o paciente instrumento de nossa
atenção.
Considero o trabalho em equipe uma
queda do modelo onde reina o narcismo e onitpotência do
profissional que coloca adjetivos possessivos na pessoa que lhe procura
(“MEU paciente!”) – postura que apenas encobre e
atrapalha uma boa assistência. O trabalho multidisciplinar
é permeado de respeito, flexibilidade,
aceitação, abertura e acima de tudo reconhecimento de que
não existem verdades absolutas, mas sim vários
caminhos para ajudar os pacientes e familiares que chegam
até nós.
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